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Eu não conhecia Isaiah Berlin até que, por acaso, comprei num sebo, uma antologia de seus ensaios com o título, “Estudos Sobre a Humanidade” (Companhia das Letras).
Isaiah Berlin (1909-97) era da Letônia, nascido na capital, Riga. Posteriormente emigrou para a Inglaterra para estudar em Oxford onde foi professor de teoria social e política; também presidiu a British Academy.
Entre seus vários estudos, Isaiah Berlin pesquisou a liberdade. Como geralmente os cristão só estudam liberdade segundo a compreensão de Santo Agostinho ou de Pelágio – Calvino e Armínio – vale a pena ler Berlin.
Seus insights sobre a liberdade humana são contundentes e provocam séria reflexão, já que Berlin considera tanto o determinismo como seu pólo oposto, a absoluta aleatoriedade. Para ele, é preciso encontrar um meio do caminho onde exista a vontade humana. Berlin também lida com o tempo, o futuro, e a construção da história.
Realmente, só existe possibilidade de verdadeira construção da história se o futuro não estiver determinado. Qualquer sistema, marxista ou cristão, que trabalhe com a inevitabilidade histórica, jamais terá práxis transformadora; os determinismos precisam se contentar com a técnica:
... Considerar o futuro algo já estruturado, sólido com fatos futuros, é conceitualmente enganoso; que é empiricamente equivocada a tendência de explicar tanto os nossos comportamentos como os dos outros com base em forças tidas como demasiado poderosas para serem contrariadas, na medida em que isso vai além do que é garantido pelos fatos.
Na sua forma extrema, essa doutrina liquida de um só golpe com a determinação: sou determinado pelas minhas próprias escolhas; acreditar em outra coisa – digamos, no determinismo, fatalismo ou acaso – é em si mesmo uma escolha, e, ainda por cima, uma escolha particularmente covarde.
Mas é com certeza defensável que essa própria tendência seja um sintoma da natureza específica do homem. Tendências como considerar o futuro inalterável – um análogo simétrico do passado – ou a busca por desculpas, fantasias escapistas, fugas da responsabilidade, são elas próprias dados psicológicos. Enganar-se a si mesmo é ex hypothesis algo que não posso haver escolhido conscientemente, embora talvez tenha conscientemente optado por agir propenso a produzir esse resultado, sem me esquivar da conseqüência.

[...]
Ser livre é ser capaz de fazer uma escolha não forçada; e a escolha acarreta possibilidades concorrentes – no mínimo duas alternativas “abertas”, desimpedidas.

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